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Memória: Meierhold

Depois de algumas poucas horinhas de sono cá estou eu novamente, e hoje vou contar um pouco da história de Meierhold, um cara (vejam como sou íntimo dele) do teatro russo que trabalhou com o (mais famoso, um pouquinho) Stanislávski...

É meu caríssimo leitor e minha rara leitora,



Vamos falar de teatro?



Karl-Theodor-Kasimir Meierhold (ou Meiergold se preferirem...) nasceu em 1875 na Rússia. Você deve estra se perguntando o que demônios esse sujeito fez para ser lembrado.



E eu vou responder que ele é, injustamente, pouquíssimo lembrado aqui em terras brasilis o que, no entanto, não quer dizer absolutamente nada. Este rapaz foi um dos responsáveis pela existência do Stanislávski. E se você ainda não sabe quem foi esse outro russo, saiba que Holywood deve muito a ele, mas esta é uma outra história...





Se você gosta de teatro a história a seguir vai lhe interessar por inteira, se gosta de cultura também. No entanto, se gosta de Vódka vai gostar só do início...



Oitavo, sim oitavo, filho de de um judeu (ok, se você for um acadêmico vai me corrigir dizendo que não há certezas até aqui, mas se não for é um dado interessante...) alemão que adotou o Luteranismo e fez fortuna com uma destilaria de Vódka (nada mais russo).



Nascido, como você poderia supor, em uma época não tão democrática (o eufemismo está na moda) onde o regime era o czarista, sua mãe recebia desde sempre em sua casa artistas e intelectuais que passavam pela cidade ou que estavam confinados nela, por motivos que você vai ter que imaginar...(não precisa muito...)



A parte que mais gosto (e me indentifico) é que ele levou apenas 11 anos para concluir as 7 séries do ginásio rússo. Mas já nessa época começou a se interessar ao que era importante se aplicando nos estudos de violino e piano além de afinar seu gosto musical.



Demonstrava interesse também pela arte dos provincianos comediantes que passavam por ali. Já no ginásio deu seus primeiros passos como intérprete fazendo algumas peças e escreveu algumas críticas teatrais (mas escapou dos Trolls ao contrário de mim...).



Vejam só, para não ingressar no exército do  Kaiser (já que era alemão) adotou em 1895 a cidadania russa e se converteu ao cristianismo e trocou seu triplo prenome (tá escrito lá em cima não vou repetir...) pelo mais simples (?!?!) Vsévolod em homenagem a um contista que havia conhecido alguns anos antes e que acabou por suicidar(-se).



Em 1895 foi a Moscou para ingressar na faculdade de direito, onde se manteve por pouco tempo já que escapava constantemente ao Teatro de Máli, onde pudia aplaudir ao invés de julgar... No ano seguinte voltou a sua cidade (Penza) onde se casou com uma atriz de um pequeno grupo local.



Neste mesmo ano resolveu adotar um movimento de jovens estudantes, escritores e artistas que consideravam formar um Teatro do Povo com a intenção de promover a elevação da massa popular (Ah, esses malditos comunistas...).



Voltou então no ano de seu casamento para Moscou onde fez o teste e foi aprovado para o Instituto Dramático e Musical onde foi aluno do Dântchenko (Chupa Wikipédia) que disse o seguinte do rapaz:



"Como ator ele não parecia aluno. Denotava certa dose de experiência e dominava os papéis com inusitada rapidez. Além disso manejava notável variedade de papéis..."



Mais tarde Meierhold construiria uma nova forma de teatro. Encontrou Stanislávski e formaram um estúdio onde ambos desenvolveram artes contrapostas. O que era para ser união os separou. Meierhold gostava de um teatro, por assim dizer, mais arte e menos real. Já o outro gostava de um teatro mais realista.



Mas essa história termina no próximo sábado...

Hesíodo

Você pode até não saber quem ele é. Ou sabe e está me corrigindo dizendo que a frase deveria ser: "Você pode até não saber quem ele é ele foi." Acontece que este é um post sobre um homem que nasceu e viveu por volta de 700 a.C ... E para um grego desta época se tornar imortal era tarefa simples, mas vamos lá...

Você pode até não saber quem ele é. Ou sabe e está me corrigindo dizendo que a frase deveria ser: "Você pode até não saber quem ele é ele foi." Acontece que este é um post sobre um homem que nasceu e viveu por volta de 700 a.C ... E para um grego desta época se tornar imortal era tarefa simples, mas vamos lá...



Hesíodo pertenceu ao que chamamos de Grécia Arcaica. (e daí?) Daí que esqueça democracia, teatro e afins, isso tudo que você provavelmente já ouviu falar só virá depois de alguns anos. E por que raios fazer um post sobre Hesíodo?



Homero você provavelmente conhece ou já ouviu falar. (finja pelo menos...) Ok, vamos popularizar, Ilíada e Odisséia você provavelmente ouviu falar. Se não ouviu falar ao menos soube de um filme ("Tróia") com o Brad Pitt. (ufa!) Não vou comentar do filme para não ficar ainda mais decepcionado com o mundinho insano em que vivemos (ou não é insano você saber quem é Mara Maravilha e não saber quem foi Hesíodo?).



Fato é que este tal de Homero é conhecido por inaugurar (na verdade não é bem assim, mas vamos ao ponto, né?) um gênero literário chamado Épica.



O que marcou essa tal de Grécia Arcaica foi o REssurgimento da escrita (Ah, daí que veio o maldito 'delta' do maldito 'báscara' da não menos maldita 'fórmula de báscara'? Sim meu caro, as coisas estão ficando mais próximas...).



Esse 'Homero' não escreveu coisa nenhuma. Apesar do que costumamos dizer, ele 'apenas' criou oralmente um poema composto de mais de dez mil versos. Não é tão difícil quanto parece (mas ainda beira o impossível) se você pensar que o poema era inteiramente ritimado e com fórmulas que hoje poderíamos chamar de refrão (mas não era cantado, era recitado).



Mas e o Hesíodo, você me pergunta. Bem, Hesíodo escreveu algo que muitas vezes é confundido com Épica, já que usava fórmulas e ritmo parecido (muito mesmo) com os do Homero. Acontece que se a épica de Homero contava os feitos dos varões (é isso mesmo, mas hoje chamaríamos de heróis) as duas obras que chegaram até nós falam, respectivamente de... CALMA!



Vamos primeiro ver o que diz a wikipédia:



"Também conhecida por Genealogia dos Deuses, é um poema mitológico de Hesíodo (séc. VIII a.C.). Trata da gênese dos deuses, descreve a origem do mundo, os reinados de Cronos, Zeus e Urano, e a união dos mortais aos deuses, desta forma nascendo os heróis mitológicos. As personagens representam aspectos básicos da natureza e do homem, expressando assim as idéias dos primeiros gregos sobre a constituição do universo."



Ok ninguém mais confia na wikipédia, nem eu... então vamos a algo um muito melhor, do Dicionário Oxford de Literatura Clássica (grega e latina):



O poema, que se refere em seu exórdio a Hesíodos como se tratasse de um escritor mais antigo, conta a história e a genealogia mitológicas dos deuses, começando com o caos primordial. (...) O restante do poema é constituído  talvez por adições posteriores, é uma continuação da genealogia divina.



Ela continua mas basta (informação demais emburrece). Agora, pára e pensa.



Teatro começou onde? Teatro na grécia sem os deuses? Deuses sem Hesíodo? Viu como é bizarro você ter ouvido falar da Mara Maravilha e não ter a menor idéia de quem foi / é Hesíodo ?





em tempo: Para os gregos você se tornaria imortal por conta dos seus feitos, ou na guerra ou na arte.

Décio de Almeida Prado - Um Homem de teatro

Um pouco da história do maior crítico teatral do Brasil (em minha humilde opinião)

Olá amigas e amigos e desavisados,



Estava eu numa busca incessante por um assunto para postar por aqui (pensa que é fácil arrumar assunto todo dia?) e eis que me deparei com uma matéria do jornal "O Povo" online (google é seu amigo). No dito jornal uma matéria pra lá de interessante a respeito de Nadir Roquelina Papi Saboya e me perguntei quantas pessoas não sabemos (o português está correto pode confiar) quem foi Décio de Almeida Prado.



Num rompante parei para lembrar das minhas aulas de história do teatro brasileiro (que tive a sorte de acompanhar com um professor sem igual: Alexandre Mate) e de como os meus colegas de classe ignoravam as sábias entrevistas que o professor nos colocava para assistir. Então me lembrei de um livro (cujo título roubei para o título do post) e decidi que não haveria tema melhor.



Décio de Almeida Prado (1917 - 2000) começou (cedo?) mais ou menos em 1941 a colaborar com uma revista "Clima" em realidade ele ajudou mesmo a criá-la. Na mesma época já dirigia o GUT (Grupo Universitário de Teatro), posteriormente foi convidado pelo jornal "O Estado de São Paulo" (que nos deu também Alfredo Mesquita, quem sabe final de semana que vem conto um pouco sobre ele) para trabalhar como crítico teatral (1946 a 1968, o que aconteceu mesmo em 1968?).



Já em 1956 e 1967 acumulou também a função de Coordenador do suplemento literário do mesmo jornal. Foi neste período da vida que ganhou notoriedade como intelectual e foi onde recebeu o devido reconhecimento pelo trabalho e cultura, de fato impressionantes. Ingressou depois na FFLCH da USP, onde foi extremamente influente na cadeira da Literatura Brasileira na faculdade de Letras da USP, lá foi ele quem introduziu os estudos de Teatro Brasileiro (hoje contamos com pouquíssimos professores na area de graduação neste assunto).



Foi também professor da EAD (Escola de Arte Dramática) principal escola de teatro de São Paulo (e uma das mais importantes escolas de teatro do Brasil), escola que teve como primeiro coordenador o Alfredo Mesquita.



Mas para que não fiquem só no que eu estou dizendo (afinal não sou mais que um estudante) acreditem no que diz Antunes Filho sobre o Décio:





"Para mim, Décio é um exemplo do intelectual e da integridade moral diante do cotidiano e dos momentos mais aguçados de crises políticas no Brasil; nosso "Papa", que inaugurou e sistematizou em termos universitários a cultura crítica teatral. Lamento muito que hoje, na sociedade de massa em que vivemos, esse trabalho esteja reduzido a um relato subjetivo e impressionista, impedindo o espaço para o aparecimento de homens de sua envergadura"



Ou então o que diz Paulo Autran:





"As críticas de Décio eram verdadeiros ensaios sobre o assunto. Ensaios abrangentes, inteligentes e úteis para todos nós. Hoje já não há espaço para críticas tão longas e, definitivamente, já não se fazem mais críticos como o Décio"



Ou Tônia Carrero:





"Décio de Almeida Prado foi em seu tempo o crítico mais admirável e o orientador mais capaz. (...) E teve a gentileza de me estimular, elogiando-me em suas críticas"



Por hoje é só!



Inspirado pelo livro:  Décio de Almeida Prado - Um Homem de teatro da EdUSP

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